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Por vezes tenho vontade de apagar algumas memórias, mas chego sempre a mesma conclusão: como me protegeria no futuro se não as tivesse?
Em determindas ocasiões, as memórias me protegem, principalmente dos homens. Agora sei o que realmente querem, o que seus olhos pedem. Agora sei o que fazer para fugir e me manter a salvo dentro do meu mundo, agora consigo cumprir meu objetivos.
Estou mesmo estranha, quase um mês convivendo com os velhos problemas de estômago, falta de apetite, cabeça dando um "tilt" e um maldito resfriado chato. Acho que isso altera a percepção das coisas e deixa tudo mais lento e maçante.
A febre, meus lábios pegando fogo e esse nariz entupido que não tem me deixado dormir. A solidão anda me perseguindo, mas estou mesmo acostumada com ela e até gosto. Parece a melhor solução continuar assim, mas não quero terminar como Gregor Samsa.
Não há refugio, nem álcool, nem chocolate, nem café o bastante para mim. Sei que não tenho amigos de verdade, eu os afasto. Esse é um ponto complicado e muito imprevisível, pois ás vezes sinto que determinada pessoa é amiga para logo depois decepcionar-me profudamente. Esse é um ponto em constante mudança. Acho que tenho bons colegas no fim...
Meu aniversário está perto e não sinto vontade de comemorar, aniversários em geral me deprimem, não tive experiências muito boas nessas datas. Sempre algo ruim acontece, algo que rasga a alma.
Perdi alguns pedaços nos últimos anos e luto para restaurar o que sobrou. É complicado fazer isso sozinha, mas necessário.
Quase consigo entender que não há mesmo razão para que as pessoas lembrem de mim, sou só mais uma pessoa no mundo e tanto faz.