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Tribe House, noite de sábado. Após dois anos longe desse ambiente, estou vestida com um longo vestido preto de tule com uma fita de cetim amarrada à cintura, uma meia calça preta e nos pés um coturno arranhado e velho. Uso uma maquiagem forte, mas de acordo com minha pele morena, não gosto de usar aquela maquiagem básica que o falecido Brandon Lee usou no filme “O Corvo” em 1994 e que virou moda desde então entre os gotitecos.
As coisas não mudaram, ainda vejo nos rostos as mesmas expressões embriagadas de suco de uva com pinga (que foi vendido como vinho) ou qualquer outra coisa ilícita. Homens vestidos como mulheres, mulheres vestidas como homens, pessoas quase nuas apenas com espartilhos e meias rasgadas. Posers por todo lado. No palco uma banda péssima arrota letras incompreensíveis, o vocalista poderia ter estudado um pouco mais de Inglês.
A sensação ainda é mesma de dois anos atrás. Converso com muitas pessoas e como elas são interessantes! Uma atriz do sul que para se especializar e ter mais chances em sua área mudou para São Paulo sozinha. Um rapaz que trabalha com caça níqueis e que me contou que ainda há mercado para isso nas favelas da cidade, apesar da proibição. Um outro sonha em montar sua própria banda e estudar musica. Um terceiro conta que venceu uma depressão hereditária sozinho (ok, gótico com depressão é clichê), hoje é uma pessoa muito alegre e está sempre sorrindo.
O bar está aberto e as bebidas são de graça, mas eu não abuso, experimento uma ou outra e logo percebo o quanto são ruins e deixo de lado. Não quero me embriagar nunca mais.
Sinto uma nostalgia do tempo em que comecei a freqüentar esse meio, tudo era novo e surpreendente e me sento para ver outra banda que finalmente é descente. A vocalista tem longos cabelos pintados de lilás e em sua frente há um ventilador para criar um efeito especial. Tudo bem, pelo menos ela canta e a banda toca direito.
Ao meu lado começa um desfile de bêbados que regurgitam a pinga com suco de uva. Penso como é bom não passar mais por essa situação e em como amadurecei no tempo que fiquei longe. Ás vezes é bom voltar e ainda acho divertido circular por esse ambiente.