
![]() ![]() ![]() |
Meu perfil BRASIL, Mulher, de 20 a 25 anos, Portuguese, Arte e cultura, Cinema e vídeo, Música, livros |
|
Link-Me



Mais um celular furtado! Dessa vez foi no Brás.
Eu tive culpa, deixei-o na frente da minha mochila quando minha mãe ligou para saber onde eu estava para retornar assim que conseguisse um canto sossegado, longe dos ladrões.
Ganhei o celular do meu irmão e estava muito contente. O aparelhinho era um emaranhado de itens tecnológicos, todo estiloso. Fazia ligações, o que é mais importante.
Sei que um celular é algo material e descartável, mas não é justo que alguém o roube. Era algo de estimação, tinha um significado. Sempre herdei as coisas que não mais serviam para o meu irmão.
Foi num dia complicado, meu serviço está um saco e outras coisas chatas aconteceram.
Tomei noção da realidade com isso e notei que estava sonhando demasiadamente com coisas que não me fazem bem. Ao ser furtada novamente cai em si e resolvi voltar ao caminho que estava seguindo sozinha.
Engraçado amar alguém e querer ficar longe, não querer ver a pessoa. Querer guardar apenas 5% de lembranças boas; 5% de sensações agradáveis e 90% de lições aprendidas.
Não quero surtar de novo e ser considerada inapta para convívio de alguns seres superiores.
Sinto que não tenho direito de ter algo melhor do que os outros, que tenho que usar coisas velhas e usadas. Pegar emprestado e dividir. Ficar com as sobras.
Estou me fazendo de vítima, não aprendo. Um dia ainda vou receber noticias que serão ruins para alguns, mas que serão prazerosas pra mim. Eu tenho um lado obscuro que surge no meio da madrugada e me faz ter pensamentos ruins. Isso só me envenena, eu sei, mas não consigo evitar. Esse é o tipo de coisa que quem eu amo me faz pensar.
Não aprendo a me afastar de quem não me merece. Não aprendo a fechar as portas, sempre deixo uma janela aberta.
Novamente fui mesária. As horas passaram rapidamente e logo fiquei livre. Hoje teria que trabalhar de qualquer forma, já que tenho uma única folga na semana e fui escala para trabalhar nesse domingo. Foi mais legal trabalhar pro TRE.
Minha cidade quase não teve candidatos e foi fácil votar. Chato é ter que ser obrigada a votar.
O pior é que nosso país é uma república democrática. Fui obrigada a ser mesária e a votar, do contrario poderia pagar multa ou até ser presa.
Ainda podemos ver pelas ruas o desnecessário tapete de panfletos dos candidatos e como estava chovendo, ele se tornou algo grudento que grudava em meus coturnos. Quase cai na ladeira em frente à escola onde trabalhei e votei. Seria lindo!
Aliás, essa escola é sempre muito vazia e a seção onde trabalho, sempre muito tranqüila. Há muitos eleitores com mais de 65 anos que ainda votam. Justificam que fazem isso porque podem, o que há alguns anos era impossível. Ainda se lembram do gosto amargo da Ditadura.
O que confunde nisso tudo é a obrigatoriedade. Por que eu tenho que votar?
Por que eu tenho que aceitar os candidatos?
São sempre os mesmos Noéis, muito bem vestidos de vermelho para chamar a atenção e com aquele saco enorme esperando para ser cheio de dinheiro.
Raul Seixas - Na Rodoviaria